Fear the Walking Dead terminou sua temporada de estreia com uma morte na família principal quando Travis (Cliff Curtis) teve que atirar em Liza (Elizabeth Rodriguez) depois de ela ter sido mordida quando tentava escapar de uma invasão de walkers (com Daniel libertando os walkers numa tentativa de salvar os entes queridos do grupo).

Isso encerrou um episódio no qual Travis deixou Andy, o torturado soldado de Daniel (Ruben Blades), ir embora, para no fim vê-lo voltar dar um tiro não-fatal em sua filha, Ofelia (Mercedes Mason). Sobre que direção a segunda temporada seguirá, o finale indicou que Strand (Colman Domingo) estava planejando ir até seu iate, que está parado na costa. Nesta entrevista, o produtor executivo e showrunner Dave Erickson fala sobre o que esperar da segunda temporada, potencialmente na água, e mais.

Qual foi a maior lição que você aprendeu com a primeira temporada e como essa lição foi recebida?

Dave Erickson: Ter noção do ritmo. Propositalmente nós desenvolvemos a série em um ritmo mais lento do que as pessoas estão acostumadas. Nós alcançamos o momento de massa crítica no final da temporada, o que foi intencional. Nós terminamos o finale com nossa primeira horda e com nossa maior sequência de ação da temporada. Uma vez que você faz isso, você precisa analisar como levar isso nas temporadas seguintes. Haverá expectativa. Nós sempre procuramos atingir essas expectativas e fazer a série o mais específico e diferente que ela queira ser. Você também não deve ignorar fãs de carteirinha de The Walking Dead e isso é importante de lembrar conforme vamos avançando.

A segunda temporada seguirá o mesmo ritmo?

Dave Erickson: Nós começaremos em um ritmo mais acelerado quando entrarmos na segunda temporada. Nós aprendemos muito: nossos personagens aprenderam, em sua educação apocalíptica, o que são os walkers. Até Travis teve que dobrar seu senso de humanidade pela primeira vez, algo que foi sua grande batalha. Teremos alguns atalhos nessa temporada. Ainda existem coisas que eles precisam descobrir. Eles não tiveram o CCD (Centro de Controle de Doenças). Eles sabem que a cidade se foi e sabem que essas coisas são incrivelmente ruins e também sabem que isto está acontecendo em outros estados e potencialmente em outros países, mas eles não tiveram alguém que lhes disse ‘O mundo já era, esse é o evento que traz nossa extinção’. Isso tudo é algo que eles terão que processar conforme eles avançam também para a segunda temporada. Se eu fosse eles, eu estaria pensando que deve ter algum lugar pra onde ir. Talvez seja uma ilha. Eu não sei. Mas deve haver algum lugar que ainda não foi atingido por essa contaminação. Mas nós da audiência sabemos que isso não é verdade e isso será o próximo choque pra eles.

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Onde começará a segunda temporada? Haverá um intervalo de tempo?

Dave Erickson: Talvez exista um intervalo de tempo entre as temporadas, mas não será algo terrivelmente dramático. Há um grande peso emocional resultante do episódio final e a perda de Liza e Griselda. Nós não quisemos pular muito longe porque há uma obrigação em mostrar os resultados disso e ver seu impacto em nossos personagens conforme eles tentam lidar com isso tudo. Será interessante ver como Chris (Lorenzo James Henrie) vê seu pai? Como Travis vê seu filho? Como eles podem conciliar o que houve, e o que Liza disse que tinha que acontecer, e ainda continuar amando um ao outro. Isso será um desafio. Essa tragédia, de uma maneira estranha, acabou reafirmando essa conexão entre Madison (Kim Dickens) e Travis e isso também continuará. Ofelia percebeu que seu pai era um monstro e, em certos aspectos, a perda de Griselda é quase que os pecados de seu pai. Eles também estão olhando um pro outro de maneira diferente. Essas coisas são interessantes de se explorar e um intervalo de tempo muito grande entre as temporadas dificultaria isso.

A primeira temporada era sobre conhecer a família e ver a evolução deles no apocalipse. Qual será o tema da segunda temporada?

Dave Erickson: Há um número de coisas que eu gostaria de explorar e nós as fizemos, até determinado grau, na primeira temporada. A pergunta de Exner – o que é família agora? – nós vimos nossos personagens fazerem escolhas que impactaram sua vizinhança, outras pessoas conectadas a eles. E a escolha de soltar os zumbis teve um sério impacto nas pessoas na base da Guarda Nacional. Estou curioso para explorar, ainda mais se conseguirmos chegar à esse barco e fizermos dele nossa base de acampamento, quem – quando você atinge uma posição na qual alguém que você ama está ameaçando o grupo – vai trazer á tona essa estranha dualidade. Se eu fosse Madison e quisesse manter todos em segurança e alguém ameaça isso, o que eu seria capaz de fazer? Chegaremos num ponto em que nossa família terá que se separar do grupo? Isso é algo que vale a pena explorar. Há uma referência à isso no episódio piloto, que é a questão da loucura, e Madison tem um passado mais sombrio que nós ainda vamos explorar. Ela está preocupada que coisas que afetaram pessoas na sua vida irão afetar seu filho (Nick) e sua filha (Alicia). Quando Strand diz que a melhor maneira de sobreviver num mundo insano é adotando a loucura, eu fico curioso em saber o que acontece com nossos personagens quando eles entram num nível desses de caos – que é bem similar com a guerra. Como você mantém sua sanidade? Neste mundo, onde tudo foi à loucura, é melhor não manter a sanidade? O que isso parece para Nick ou Chris, que passou pelo trauma de perder sua mãe. Nós tentamos contar a história pelo filtro de um drama familiar e esse elemento precisa se tornar cada vez mais visceral e violento conforme avançamos.

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Você vai revelar mais a respeito de Cobalt? O término compassivo das pessoas nunca foi explicado.

Dave Erickson: Você terá que esperar pela segunda temporada! Nós não estamos no momento em que Rick [Andrew Lincoln] acorda do coma [em The Walking Dead]. Então a saída dos militares da base de L.A. e a ideia de que eles estão indo para o deserto é algo real. Você pode imaginar que isso esteja acontecendo através do país e do mundo. Todos estão em retirada, mas você não quer sair da cidade, se você conseguir evitar isso, que está completamente tomado por mortos porque os mortos vão continuar a se espalhar por todas as cidades e eles estão em todas as comunidades e estão mordendo mais pessoas. E antes que você perceba, não haverá mais ninguém sobrando. Então o exército ainda tem planos.

Você mencionou no Talking Dead que outros também tiveram a ideia de ir sentido à costa. O que isso parecerá?

Dave Erickson: Nós terminamos em um barco com um oceano á frente – mas o que nós vamos perceber e isso será parte do que os militares estão fazendo – você verá que a terra firme não é mais segura. Pelo menos não no sul da Califórnia. Algumas pessoas não ficaram de quarentena ou estão indo pro norte ou pro sul. Mas existem milhares de barcos por L.A. Então muitas pessoas vão abastecer os barcos e tentar chegar na água e evitar a terra o quanto for possível. Você verá muitas pessoas tentando sobreviver. Se você observar o iate de Strand, é uma embarcação bem legal. É algo no qual você conseguiria sobreviver por um bom período de tempo e isso é algo que talvez outros cobicem. Então você se depara com a questão do que é pior, walkers ou humanos, e nós continuaremos nessa. Haverá um bom tanto de ação no mar – e nós dividiremos isso entre terra e água. Mas será uma dinâmica interessante.

Os walkers conseguem funcionar debaixo d’água?!

Dave Erickson: Na minha compreensão walkers não sabem nadar. O Governador (David Morrissey de The Walking Dead) matou alguém e jogou o corpo no lago. Você vê o walker debaixo d’água, ele está submerso e está tentando se levantar. Eu acho que tinha algo o pesando pra baixo de maneira que ele não conseguia boiar. Eu preciso confirmar isso com Robert [Kirkman, co-produtor de Fear], mas os walkers não sabem nadar – eu tenho certeza que eles eventualmente flutuariam.

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O iate já está no mar. Ele já está sendo habitado? Quantos personagens você adicionará na próxima temporada?

Dave Erickson: Se e quando nós chegarmos no iate, você verá. Conforme começamos a segunda temporada, o importante para mim é o conflito interno do nosso grupo. Haverá conflito externo e obstáculos com os quais lidar. Quanto ao número de personagens que iremos adicionar, nós estamos vendo isso agora. Mas é sempre algo que se precisa tomar muito cuidado porque nós temos uma contagem significativa de pessoas e queremos ter certeza de que estamos explorando esses personagens que nós conhecemos antes de adicionar muitos mais. Porque daí fica difícil contar a história da família. Haverá novos personagens. Haverá novos conflitos e muito mais drama no mar e na terra, mas ainda não tenho um número específico.

Como você introduzirá o sobrevivente do voo 462?

Dave Erickson: Nós veremos pelo menos um personagem deste voo. Sobre o quanto mostraremos desta narrativa, isto será visto. Nós combinaremos essas duas histórias durante o percurso da segunda temporada.

Como a morte de Liza impactará Travis e Chris? Tanto Liza quanto Madison sabiam que se Travis puxassem o gatilho, isso acabaria com ele.

Dave Erickson: Essa é uma das maiores questões para a segunda temporada – temos duas mulheres, ambas que disseram que isso acabaria com Travis. O desafio de Travis é não surtar. O relacionamento dele com Chris é carregado e agora eles têm esse peso gigante entre eles e isso vai chacoalhar Chris um pouco. Cairá em cima de Travis, por mais doloroso que seja, o dever de tentar e ser a rocha pra esse menino e trazê-lo de volta. Ele está devastado? Certamente. Mas ele será capaz de reparar essa fratura pra poder cuidar de seu filho? Esse é o desafio. Foi importante pra gente ter pelo menos um personagem que se agarraria à sua humanidade e tivesse que lutar com isso. Quando você leva em conta que estamos há apenas 12 ou 14 dias no apocalipse, eu não acho que seja desarrazoado por parte de um de nossos personagens – mesmo que num final amargo – fazer o que ele acha ser o correto. Travis faz aquilo e isso volta pela culatra com Adams e como isso tudo quase leva à morte de Ofelia. Isso acaba com ele.

Teria sido interessante se Ofelia tivesse morrido, Travis também teria o sangue dela em suas mãos e isso complicaria muito mais a relação dele com Daniel.

Dave Erickson: Travis tem que dar algumas explicações. Suas ações quase acabaram com a vida ‘do bem mais precioso’ de Daniel. Isso é algo que ficará no meio deles. Mas Daniel vê e entende o que Travis teve que fazer com Liza. Ele percebe que o Travis que ele conheceu na barbearia não é o mesmo. Todo personagem teve uma perda devastadora. Entre Liza e Griselda, eles todos estão tocados pela morte de maneiras bem específicas. Isso pode causar mais conflito ou pode levar à uma conexão em algumas instâncias e em algum senso de compreensão. Estou animado para ver como será a dinâmica de Travis e Daniel na segunda temporada.

Andy (Shawn Hatosy), Tobias (Lincoln Castellanos), Exner (Sandrine Holt) ou Lt. Moyers (Jamie McShane) voltarão?

Dave Erickson: Têm um número de personagens que nós não vemos se transformar em walker ou morrer, e nós podemos chegar a certas conclusões, mas eu amo todos esses personagens. Não estou dizendo que eles voltarão, mas é algo a se considerar conforme avançamos. Se trazermos algum destes personagens de volta, eu quero que pareça orgânico. Veja como eles trouxeram Morgan (Lennie James) de volta à The Walking Dead. Precisaríamos desenvolver algo assim – mas Adam não está morto. Eu sinto que Exner provavelmente não voltará. Na minha cabeça, ela estava planejando usar aquela arma nela mesma. Sua missão havia falhado e ela sabia algo que nossos personagens ainda não sabem: este é o fim. Ela é deixada em uma situação da qual não acho que ela conseguisse sair. Não temos planos para Exner no momento.

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Você deu uma dica sobre o passado sombrio de Madison. O passado de Daniel foi revelado nesta temporada. Em que momento da segunda temporada o passado de Madison será revelado?

Dave Erickson: Eu ainda não sei. As coisas por quais ela passou são segredos que ela tem mantido por bastante tempo. Um grande motivo pelo qual ela não diz à Travis sobre Artie [o diretor que virou zumbi que ela matou no segundo episódio] é porque atinge um ponto fraco de sua história. Eu queria achar um jeito de explorar essa vergonha que ela sente. Obviamente houve o elemento sobrevivência e ela teve que proteger Tobias e ela mesma de Artie. Mas ninguém na nossa série está em uma situação em que acham fácil matar alguém, e é algo difícil de compartilhar. Nós descobriremos que há um nível de violência no passado de Madison que ela vem encobrindo. Essas coisas são ecos de seu passado e eventualmente eles ficarão mais fortes e mais proeminentes e ela terá de revelar alguns elementos disso. Mas isso não será descarregado na estreia da segunda temporada. É algo a ser explorado conforme avançamos.

A base da Força Aérea Edwards é mencionada como sendo uma possível área de evacuação. Há alguma chance de vermos o que está acontecendo lá?

Dave Erickson: Não há planos para vermos Edwards. Bem parecido com a HQ e com a série original, o objetivo é não ver as coisas da perspectiva dos generais e dos políticos. Para ir até Edwards, nós teríamos que escolher outro personagem pelo qual veríamos isso que não fosse Exner. Fazer isso talvez nós tirasse do caminho. Nós já temos bastante história pra contar. A pergunta sobre qual era o plano dos militares certamente levaria à Edwards e eles vão segurar isso o quanto puderem. Isso está acontecendo em muitos lugares. A notícia triste é que na hora em que Rick acordar, que ainda é algumas semanas pra frente, nós sabemos que as coisas vão ter piorado muito. Esse é o desafio – todos sabem o que vai acontecer, menos nossos personagens.

Resumindo, porque Strand salvou a família? Ele vê algo em Nick mas porque levar o resto da família? Se ele já tem uma ideia de evacuação, porque levar todo mundo junto? Isso foi pra que eles o ajudassem a chegar onde ele precisa ir?

Dave Erickson: Possivelmente. Strand consegue ver qualquer situação e determinar o ouro. O que terá valor neste novo mundo? Seu barco tem valor porque é algo que permite com que as pessoas sobrevivam e dá um grau de poder a ele. Ele vê algo em Nick que ele gosta e nós descobriremos mais sobre o que é isto, mas há algo enigmático sobre Strand. Ele não oferecerá bondade a não ser que ele sinta que poderá se beneficiar disto. Ele definitivamente tem um plano e estará descobrindo coisas conforme avançamos na segunda temporada.

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Fonte: Hollywood Reporter


Comentários

  • Jessé Claudino

    faltam algumas semana para o rick acorda do coma
    sera que vai ter uma pequena referencia isso na serie