Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do terceiro episódio, S02E03 – “Ouroboros”, da segunda temporada de Fear the Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

O Voo 462 finalmente pousou. Caiu, na verdade. A AMC nos disse que uma das pessoas dos webisodes, que também foram ao ar durante os intervalos de The Walking Dead, entraria em Fear the Walking Dead, mas o que nós não sabíamos é que haveria um episódio inteiro girando em torno dos destroços.

Nosso grupo no barco avistou o avião que caiu na praia e foi investigar à procura de suprimentos. Mas os problemas estavam à espreita quando Chris encontrou mais do que procurava quando saiu por conta própria, enquanto Nick fez a conveniente descoberta de que o sangue zumbi funciona como camuflagem na presença dos infectados. O episódio então terminou com Strand desenhando uma linha proverbial na areia com os outros ao cortar a corda dos dois sobreviventes do Voo 462, que Travis havia prometido rebocar até San Diego.

Entertainment Weekly conversou com o showrunner Dave Erickson para saber mais, confira:

Vamos começar falando sobre a conexão com o Voo 462. O Voo 462 foi mostrado em curtas prestações online e durante intervalos comerciais, e foi dito que alguém de lá acabaria aqui. Mas foi mais do que isso, já que tivemos um episódio inteiro girando em torno da queda do Voo 462 e as crianças investigando isso. Como foi isso? A ideia do Voo 462 foi trazida pra você e você decidiu como integra-la, ou você teve a ideia do acidente de avião e então as parcelas do Voo 462 surgiram daí?

Dave Erickson: Isso realmente começou com a AMC. Acho que o desejo era, já que tínhamos apenas seis episódios encomendados para a primeira temporada, fazer uma narrativa que nos carregasse através da sexta temporada de The Walking Dead para que as pessoas ficassem engajadas com Fear durante nossa longa pausa. Então começou a partir disso, e então Lauren Signorino e Mike Zunic, que são minha assistente e nosso assistente dos roteiristas na série, foram eles que escreveram os intersticiais. Eles eram supervisionados por David Wiener, que é nosso co-produtor executivo.

E então eles desenvolveram a história. Eles desenvolveram a ideia, e então o objetivo era encontrar uma maneira de integrar isso com a série. Uma das coisas legais agora é que você pode contar uma história multi-plataforma. Seja um webisódio que se conecta com a série principal ou um vídeo – todas essas coisas são realmente intrigantes para mim. Então começou como um meio de manter Fear vivo ao longo do hiato e então desenvolver isso para algo que pudéssemos integrar com o coração da série.

fear-the-walking-dead-s02e03-dave-erickson-flight-462-001

Retrocedendo para o começo do episódio. Nós não vimos muito romance na série, mas vimos Travis e Madison tentando ter um momento íntimo antes do barco parar quando o zumbi fica preso no motor. O que fez você querer colocar o que acabou quase sendo uma cena de sexo?

Dave Erickson: Bem, foram algumas coisas. Se passa na sequência da tragédia do segundo episódio e da morte da família Geary, e eu acho que é um daqueles momentos em que não há nada a ser dito, sabe? Não há nada para comunicar. Não dá pra suavizar o que acabou de acontecer. Eles não conseguem encontrar palavras, e por causa disso eles tentam se encontrar de um jeito diferente. Eles tentam se conectar de uma maneira diferente, e então, é claro, são interrompidos pela chegada, você sabe, de Michael, o meio zumbi.

Nós vemos que Ofelia precisa de remédios e diz que podem pedir a Madison, e Daniel diz “não, nós podemos cuidar de nós mesmos”. Ele diz que é um assunto de família e “isso fica com a gente”. Isso é um orgulho teimoso, ou o jeito desconfiado de Daniel? O que está acontecendo aqui?

Dave Erickson: Eu acho que Daniel é um realista, acima de tudo. Veja, ele criou um vínculo com Madison na temporada passada. Eu acho que ele respeita Madison. Ele vê valor nessa relação, mas ele também sabe que se chegar um momento de necessidade e Madison precisar escolher entre Ofelia e Alicia, Madison escolherá Alicia. Então, pra ele, ele se lembra do que aconteceu com Griselda. Ele é um pai meio superprotetor no momento, mas ele está preocupado. O que ele não quer que ninguém no barco saiba é que eles têm uma fraqueza, que tem algo que os torna vulneráveis.

Então, por enquanto, ele prefere esconder suas cartas, e quando surge a ideia de ir até a praia vasculhar as bagagens, ele se oferece para acompanhar as crianças porque eles estão desesperados para fazer alguma coisa e serem ativos e terem algum tipo de ocupação, mas ele também vê aquilo como uma oportunidade para fuçar as malas e tentar encontrar algo para ela. Ele viu muita coisa em sua vida, e você sabe, confiança não é algo que consta em seu currículo.

fear-the-walking-dead-s02e03-dave-erickson-flight-462-002

Nós temos uma revolta das crianças em certo momento, quando eles querem ir até o avião procurar suprimentos. Os pais dizem não, mas então a geração mais jovem diz que eles não estão pedindo permissão, com Alicia dizendo “parem de nos colocar na mesa das crianças”. É importante lembrar que enquanto eles são “as crianças”, eles são mais velhos do que Carl Grimes era em The Walking Dead. Eles podem ser capazes, certo?

Dave Erickson: Eles certamente podem. Uma das coisas que acho interessante na Alicia, no Chris, e especificamente no Nick, é que estamos tentando contar uma história de amadurecimento em um mundo onde ninguém amadurece mais. E a grande coisa sobre esse episódio é que você consegue ver os começos disso para cada um deles. Para Nick, ele finalmente tem um encontro bem próximo com os mortos, e isso começa a mudar sua perspectiva sobre os infectados.

Chris tem uma experiência traumática – não apenas com os mortos, mas com os vivos quando eles vão para terra firme. E então para Alicia, é a primeira vez que ela mata. É a primeira vez que ela é confrontada pelos mortos, e precisa se defender e defender sua família, e para uma primeira fez ela não foi tão mal assim. Mas eu acho que para os três isso é realmente um catalisador para o que está por vir pelo restante da temporada.

Bem, vamos falar sobre algumas dessas coisas com um pouco mais de profundidade, e vamos começar com Chris, que está sendo bem adolescente aqui, quando sai sozinho e começa a falar bobagens para os zumbis do avião. Mas então as coisas ficam reais e ele precisa matar alguém que está implorando para que Chris acabe com seu sofrimento. O que este evento fará com Chris daqui em diante?

Dave Erickson: Vai muda-lo. Acho que o que queríamos fazer naquela cena era ter uma tentativa de misericórdia. Chris conhece as regras, e agora ele sabe que esse homem não vai sobreviver, e ele sabe o que vai acontecer quando ele morrer, e ele já lidou com matar os mortos. Isso é catártico. É algo que dá a ele um tipo de alívio.

E agora, ao tentar ajudar esse homem e mata-lo, ele se encontra em uma situação em que o nível de violência, não funciona muito bem. Ele acerta o homem duas vezes, e ele continua vivo, e agora ele meio que precisa terminar o que começou. Agora ele precisa ir a um lugar muito mais sombrio, muito mais violento. Acho que isso o traumatizou, e é uma grande peça para Chris no longo arco da temporada, porque ele ainda está tentando se reconciliar com o que o pai fez com Liza na temporada passada e como isso poderia ser ok.

E agora ele está em uma situação onde ele sacrificou uma pessoa, matou uma pessoa viva para evitar que ele se tornasse um zumbi, e eu acho que isso é algo que vai elevar seu investimento no apocalipse. É algo que vai realmente definir a filosofia dele sobre qual a distinção entre vivo e morto. Quando está permitido matar? É algo que vai valer a pena à medida que prosseguimos.

fear-the-walking-dead-s02e03-dave-erickson-flight-462-003

Vamos falar agora do Nick, porque Nick pode ter conseguido uma informação muito valiosa aqui. Primeiro, parabéns pelo zumbi dos caranguejos. Quero dizer, vamos parar por um instante porque o zumbi dos caranguejos foi verdadeiramente inspirado.

Dave Erickson: O zumbi dos caranguejos foi um casamento de efeitos de maquiagem, cortesia da KNB e Greg Nicotero e sua equipe, e então efeitos visuais com os caranguejos em si, obviamente. É interessante porque o que isso representa para Nick enquanto ele está assistindo essa coisa que foi engolida pela terra ao longo das últimas semanas, com a erosão e as marés chegando e levando a areia e depois repondo, e tudo que ele pode fazer é continuar a comer os caranguejos que estão comendo ele. Eu acho que Nick vê isso, e ele reconhece a fome – essa necessidade incessante que essas coisas têm, ele se identifica com isso, o que é algo estranho em termos dessa conexão com eles.

E então Nick consegue uma informação aqui onde ele se vê coberto em sangue zumbi e não é abordado ou atacado, e percebe que ele funciona como camuflagem. O que ele vai fazer com esse conhecimento?

Dave Erickson: Isso você vai descobrir mais pra frente na temporada. Nick teve alguns encontros com os mortos na estreia, e nós estabelecemos ele como alguém cuja opinião e visão sobre os infectados está evoluindo. E agora ao escapar do zumbi dos caranguejos e do outro infectado que surge, ele acaba coberto por sangue e vísceras, e quando ele vai para salvar sua irmã, e eles estão sendo atacados, ele percebe “eu posso andar com os mortos, e eles não sabem que eu estou aqui”.

Eu acho que o que isso vai se tornar pra ele é… é uma ferramenta. Quero dizer, a maneira como ele aborda e a maneira como ele entende os mortos é muito diferente de todos os outros na série, e isso proporciona a ele uma oportunidade de se aproximar e fazer isso de um jeito pessoal. Uma das coisas sobre as quais conversamos antes é essa ideia de que uma vez viciado, sempre um viciado. Ele não está mais usando heroína, mas ele vai canalizar essa personalidade viciada para outra coisa.

Então eu acho que quando você está tão perto da morte, isso dá meio que um fluxo. Isso dá uma descarga de adrenalina, então eu acho que ele está sentindo isso, e é isso que nós vemos naquele momento quando ele fica cara a cara com o zumbi na praia. Ele nunca esteve tão perto da morte antes. Por todas as vezes que ele usou, por todas as vezes que ele esteve perto da morte ao longo dos anos, é a primeira vez que ele realmente fica cara a cara com ela nesse sentido, e eu acho que isso muda ele.

fear-the-walking-dead-s02e03-dave-erickson-flight-462-004

Mas tem outra coisa que eu imagino que todos vocês tenham conversado a respeito, e eu sei que é algo com que Robert Kirkman, seu co-criador, teve que lidar nos quadrinhos de The Walking Dead e na outra série, que é, uma vez que você introduz esse conhecimento para os personagens, que eles podem se camuflar ao colocar as entranhas dos zumbis em si mesmos, a pergunta passa a ser: bem, por que eles não fazem isso o tempo todo?

Dave Erickson: É realmente uma boa pergunta. Acho que a razão pela qual eles não fazem isso é porque não é a tarefa mais fácil de se realizar. Quero dizer, você precisa encontrar um infectado. Você precisa abater o infectado. Quero dizer, é procurar encrenca para poder evitar encrenca, se é que isso faz sentido. Então acho que é uma ferramenta que eles usaram algumas vezes nos quadrinhos e na série original, e é uma ferramenta que acredito que veremos nossos personagens, especialmente Nick, usarem novamente agora que ele sabe que é meio que um passe livre entre os zumbis.

Acho que são as circunstâncias que definem e criam a necessidade de se cobrir de sangue, como dizemos, em Fear. Não será um rito de passagem diário. Você não vai acordar e escovar os dentes e então se ensaboar com sangue de zumbi, mas acho que veremos isso ser usado novamente à medida que avançamos.

fear-the-walking-dead-s02e03-dave-erickson-flight-462-005

Nós terminamos o episódio com essa grande discussão no barco e o que fazer com os dois passageiros do Voo 462. Travis toma essa decisão executiva de reboca-los até San Diego, mas então Strand, depois de andar para lá e para cá, vai até lá e corta a corda do bote. Deus, eu amo tanto aquele momento porque sou uma pessoa horrível, mas o que isso fará com a relação de Strand com os outros?

Dave Erickson: Ah, as coisas ficarão tensas. É o seguinte: Strand, você sabe, é o barco dele, e acho que no final da semana passada, quando Madison e Travis trouxeram Harry de volta para o barco e queriam salvar o menino, Strand disse “Não, não vamos fazer isso. Crianças são a definição de peso morto”.

Mas a verdade é que, se o irmão de Harry não tivesse aparecido com seu rifle e exigido a devolução de seu irmão, Strand teria perdido aquela discussão. Ele estava em desvantagem. Madison, Travis, Alicia, Nick – todos eles teriam apoiado a ideia de trazer o menino a bordo, e ele sabe disso, e acho que ele escapou raspando daquele conflito. Então, essa semana, quando ele vê eles tentando jogar aquela carta novamente – ele é categórico. Vocês não podem fazer isso.

Isso coloca Madison em uma posição interessante, porque Travis precisa se posicionar. Primeiramente, ele precisa contar a todos que eles estão indo para o México, e ele está apoiando a jogada de Madison. E então quando ele a vê sendo colocada em uma posição na qual não gostaria de estar, o instinto dela é cuidar de Alex e cuidar de Jake, mas ela sabe que intermediou essa paz e esse acordo com Strand, e ela não quer comprometer isso.

Então isso coloca Travis em uma posição onde ele precisa tomar uma meia medida, que ele odeia, e ele os coloca no bote. Mas para Strand, o que ele percebe é que essa meia medida, esse acordo, é um passo mais perto dele perder o controle, e nesse ponto ele está andando pra lá e pra cá porque está com medo de que seja isso hoje, algo diferente amanhã, e de repente, você sabe, se torna uma revolta.

Então quando ele vai lá embaixo, essa é a sua declaração. Isso é ele dizendo “sabe, nós demos água pra eles. Nós demos comida pra eles. Não vou além disso. O barco é meu, e no futuro vocês vão se lembrar disso. Vocês vão se lembrar até onde eu estou disposto a ir”. Mas isso coloca todos em uma posição muito desgastada e desafiadora indo para o próximo episódio, mas então outra coisa surge, e isso sai da agenda por um tempo.

Antes de terminarmos, dê uma ideia do que podemos esperar do quarto episódio.

Dave Erickson: Na quarto episódio a tensão no barco estará mais alta por causa do que Strand acabou de fazer. Madison e Travis estão desesperadamente tentando descobrir qual a melhor jogada, e justo quando eles estão prestes a tomar essa decisão, eles são interrompidos por algo trágico, e horrível, e violento. Vai acontecer uma grande mudança no próximo episódio, que vai direcionar a atenção de todos. Vai ser bom.

Fiquem ligados aqui no FEAR the Walking Dead Br e em nossas redes sociais @FearWalkingDead (twitter) e FEAR the Walking Dead Brasil (facebook) para ficar por dentro de tudo que rola no universo de Fear the Walking Dead.


Fonte: Entertainment Weekly


Comentários