A AMC convidou fãs de algumas partes do mundo para participar de um google hangout para falar sobre a segunda temporada de Fear the Walking Dead, com Cliff Curtis (Travis) e Dave Erickson (showrunner). O bate-papo foi totalmente fechado para fãs selecionados a dedo pela emissora. E, como não poderia ser diferente, nós estávamos lá para representar o Brasil. Infelizmente, não podemos divulgar o vídeo da entrevista, mas abaixo preparamos toda a transcrição do mesmo. Confira:

MEDIADORA: Estou aqui com Cliff Curtis, que interpreta Travis Manawa, e com Dave Erickson, co-criador, escritor e produtor executivo de uma de nossas séries favoritas.

Dave e Cliff: Oi gente!

MEDIADORA: Oito de vocês. Vou falar seus nomes bem rápido para que possamos nos apresentar e saber quem cada um é, se vocês puderem levantar sua mão ou só dizer “oi” para ter certeza que todos estão aqui. Temos Miriam da Holanda, Nandor da Hungária, Daniel da República Checa, Mana Samui da Tailândia, Gerard de Singapura, Jason do Reino Unido, Morgan também do Reino Unido, Jarret da África do Sul e Laís do Brasil. Estamos aqui tão empolgados como já mencionei, por que a gente não começa com Nandor, que tem uma pergunta sobre o que esperar dessa temporada?

Nandor: Eu gostei bastante da primeira temporada, pude notar que vocês tomaram riscos, poderíamos esperar por uma história mais relaxada, calma? Ou vai haver alguma grande reviravolta nos seis primeiros episódios?

Cliff: Vamos passar protetor solar, por óculos escuros e relaxar no mar. (Risadas) Não, não vai ser assim.

Dave: (Risadas) não será uma temporada relaxante para ninguém. Estaremos na Abigail, no mar, mas rapidamente descobriremos que “ela” não é mais segura que a terra. Então veremos mais reviravoltas, e as coisas serão tensas.

Cliff: Com bem mais ação, eu achei. Você acha?

Dave: Sim, sim.

MEDIADORA: É possível ter mais ação?

Dave: Estamos dentro do apocalipse, e na primeira temporada, a família esteve isolada até certo ponto, e houve um momento onde perceberam o que estava acontecendo, a Guarda Nacional apareceu e eles acabaram passando dois episódios atrás de grades e confiando nas informações que recebiam. Agora, tudo foi arrancado, acho que quanto mais eles entrarem no apocalipse, mais treinados ficarão, e ainda não estamos no ponto onde Rick Grimes acorda na série original de The Walking Dead, mas estamos chegando mais perto.

Cliff: Estamos chegando perto.

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MEDIADORA: Daniel da República Checa quer saber mais sobre como foi filmar no México.

Dave: Já sabíamos que gravaríamos a série em um barco, e nosso produtor de design, Bernardo, que é da Cidade do México, fez o design e construiu a Abigail em seis semanas, e fomos para um estúdio em Rosarito porque foi onde James Cameron construiu seu estúdio para filmar Titanic. Eles têm um tanque gigante onde nosso barco vive agora, além de terem outros três tanques com água, então pareceu o lugar certo para a ação e os elementos que queríamos na segunda temporada.

MEDIADORA: A Mana Samui quer saber se algum personagem vai sair da série ou ser mordido nessa temporada, e se sim, se vocês podem dar alguma dica de quem será.

(Todos riem)

Cliff: Essa é uma pergunta excelente, eu sempre pergunto isso pro Dave, tipo “Cara, quem morre? Só conte para mim, cara! Eu vou ser mordido? Por favor!” mas ele nunca conta nada.

Dave: Eu não vou mesmo, desculpa. Qualquer um pode ser mordido a qualquer hora, e como vocês já sabem pela série original e pelos quadrinhos de Robert Kirkman, não são só os zumbis que são o perigo, mas também as pessoas que eles conhecem. Eu não posso contar, desculpa.

MEDIADORA: Não dói tentar perguntar!

Cliff: Por favor, nos conte se você descobrir quem morre.

MEDIADORA: Gerald também tem perguntas sobre os diferentes elementos entre as duas temporadas.

Gerald: A primeira temporada teve poucos episódios, queria saber se existe algum elemento que vocês tiveram que remover na primeira temporada que veremos na segunda temporada?

Dave: Na verdade, não. Sinto que a primeira temporada fechou um capítulo, introduzimos os personagens no apocalipse, eles aprenderam como os infectados agiam, especialmente Travis. Será uma temporada dividida em 2 partes, a primeira com 7 episódios e a segunda com 8, para mim são 3 capítulos de uma novela. Para mim não houve nada que não conseguimos fazer na primeira temporada que não fizemos na segunda, exceto pelo barco, não tínhamos um barco na primeira.

MEDIADORA: Jarret quer saber o papel de Travis na segunda temporada.

Cliff: Gosto bastante de Travis, acho que ele é um ótimo cara, ele é um bom amigo, um ótimo professor de ensino médio, se dá bem com as crianças e tudo mais. Porém, num apocalipse zumbi, ele não está entendendo nada. Há outros personagens que se adaptam melhor ao apocalipse zumbi, como Strand e Salazar, Madison e Nick. Não tenho certeza se Travis é capaz de se adaptar pelo fato de ter que matar para sobreviver. Eu quero continuar no meu emprego, o que significa que quero sobreviver o apocalipse (risadas). Quero que meu personagem evolua e consiga sobreviver. Acho que ele está um pouco atrás dos outros personagens.

Dave: O que acho interessante em Travis na primeira temporada era o compasso moral da série, e no final da temporada ele percebe que qualquer boa ação que ele tenta fazer, qualquer esforço para se manter agarrado em sua moralidade se tornou um compromisso nesse mundo. Acho que isso se estende para a segunda temporada, mas pode dizer que está bem mais confortável com isso.

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MEDIADORA: Jason, você tem uma pergunta sobre como as pessoas reagiriam ao apocalipse.

Jason: Fear the Walking Dead se passa em um universo onde os zumbis nunca existiram na cultura popular, como vocês acham que o mundo moderno lidaria com um mundo parecido com o de Fear?

Cliff: Acho que muitas pessoas começaram a pensar nisso nos últimos 5 anos graças a essa série e sabem exatamente o que fariam nessa situação. Tenho certeza que muitos de vocês tem uma ideia clara do que fariam, eu tenho. Acho que o mundo é um lugar amargo nessa franquia, ou na possibilidade de ter um apocalipse zumbi. (Risadas)

MEDIADORA: A série deixa vocês mais paranoicos?

Dave: Paranoico? Sim. Fico analisando os lugares que frequento para saber se são seguros ou não.

Cliff: Com certeza não me sentiria seguro em Los Angeles, me sentiria bem mais seguro na Nova Zelândia. Tenho uma ideia clara de como organizaria minha comunidade, seríamos capazes de cultivar comida, sei exatamente como fazer. Já em Los Angeles acho que ninguém consegue chegar muito longe.

Morgan: Queria saber o que vocês podem falar sobre alguns dos novos personagens da segunda temporada.

Dave: É uma boa pergunta, infelizmente. (Risadas) Posso dizer que vamos encontrar pessoas na terra, no mar, acho difícil falar disso porque posso estragar algo da história que será desenvolvida nas próximas semanas, mas vamos por desse jeito: não somos os únicos que tiveram a brilhante ideia de ir para o mar, rapidamente perceberemos que haverá competição no oceano.

Cliff: Quero dizer algo: não há muitos amigos. Alguns são amigos em potencial, mas na verdade não são.

Nandor: Salazar disse uma frase muito interessante, que as pessoas boas são as que morrem primeiro, você acha que você seria o que morreria primeiro?

Cliff: Sim! Por isso mesmo que acredito que Travis é a pessoa que tem menos potencial de sobreviver no apocalipse, ele é o “gente boa”. Já Strand e Salazar são os mais capazes de sobreviver, e Madison e Nick são os mais capazes de se adaptarem rapidamente para sobreviver. Ser um cara gente boa não te favorece nesse mundo, é meio que um problema. (Risadas)

Nandor: E ele evolui?

Cliff: Você tem que perguntar a Dave.

Dave: Travis está evoluindo, ele aprendeu muito no quesito de como sobreviver nesse mundo, e terminamos a primeira temporada com um cara que foi forçado a atirar na cabeça da mãe de seu filho, então isso não é algo que vai embora rápido. Fundamentalmente, a série é um grande drama familiar, e só fica mais e mais complicado na segunda temporada. Não se preocupem com Travis, sua habilidade de enfrentar a morte será abordada, vocês verão isso claramente. Mas há um nível totalmente diferente de complexidade em sua relação com seu filho, Madison e o resto das pessoas que estão presas no barco.

Cliff: A segunda temporada se trata do que você precisa desapegar para se tornar um sobrevivente, tem que desapegar de sua moralidade, seus valores, seu senso de identidade por ser um cara bonzinho, o que você precisa fazer para sobreviver. E Travis não é muito um sobrevivente, é mais um cara idealista. Seu foco se mantém na segunda temporada, mas sua família é mais importante que sua própria sobrevivência, o que é algo que se distingue bem. E agora sua família é Madison, Nick e Alicia e seu próprio filho, mas ele simplesmente não é um sobrevivente. Acho que isso é o mais interessante sobre personagens como Salazar e Strand nesse mundo, porque eles são sobreviventes puros. Claro que Salazar tem sua família, mas ele não vai demorar muito tempo de luto, ele sabe quais são as prioridades. Strand é um personagem bem atrativo nesse mundo, talvez não na vida real, não queremos um Strand na vida real, mas ele é bem prestativo num apocalipse zumbi. Ele tem uma ideia clara do que o mundo virou e como operar nele. Mas Travis ainda não está nesse nível, e tem que passar por uma grande mudança para ser capaz de oferecer a sua família, seja a Madison, Nick, Alicia ou a seu próprio filho, tudo que seja prestativo ou útil para eles, se ele será capaz de ser um homem capaz de prover para sua família.

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Dave: Fundamentalmente, é isso que é atraente no personagem. Não queríamos na primeira temporada e evitamos fazer na segunda o fato das pessoas já saberem matar, lutar, e queremos contar uma história onde as pessoas não peguem um atalho, que elas precisem lutar com a realidade que estão lidando. O que foi um dos motivos para a primeira temporada ter um ritmo mais lento, mas há uma aceleração nessa próxima temporada.

Cliff: Há uma grande pergunta que não sei direito qual a resposta para ela, grandes dúvidas surgiram nessa segunda temporada, e vão levar a temporada inteira para serem respondidas. Estamos na metade das gravações, então não dá para responder isso ainda, desculpa! (Risadas)

LAÍS (do Fear the Walking Dead Brasil): Cliff, a temporada passada teve um desfecho chocante, que foi a morte de Liza. Como você acha que Travis reagirá a isso baseado no fato de que ele também tem que lidar com seus próprios sentimentos por causa da morte de sua ex-esposa, e ainda tem que descobrir como agir na frente de seu filho e do grupo.

Cliff: Acho que Travis, no mundo normal, provavelmente ficaria bêbado, choraria por um mês e se sentiria bem mal por ter feito isso. Mas estamos no apocalipse zumbi, não há tempo para ficar de luto. Nós voltamos na segunda temporada bem nesse ponto. Uma das coisas interessantes sobre Travis é que na primeira temporada é que ele não matou nenhum zumbi ou infectado, mesmo em perigo e com uma escopeta em mãos. E a primeira vez que matou foi a mãe de seu filho e a mulher que já amou. Basicamente, ele vai internalizar isso, ele não vai ficar de luto, não terá uma chance verdadeira de se comportar de uma maneira normal. E essa é uma das grandes perguntas dessa temporada, o que acontecerá com Travis? A primeira coisa é que ele entendeu que precisa matar, mas acontece tão rápido que talvez ele ainda tenha tido a chance de entender que precisa matar diariamente.

MEDIADORA: Nandor perguntou sobre o papel do governo na primeira temporada.

Nandor: Vocês não são tão bons com o governo, já que ele lidou muito mal com o manejo da crise. Qual nota você daria para o governo de 1 a 10? E isso vai continuar na próxima temporada?

Dave: Posso dizer que daria um 6 na escala de 1 a 10. É interessante porque a Guarda Nacional acabou sendo um pouco malvada. Acho que alguns guardas que conhecemos tinham um pouco mais de humanidade, temos 3 no fim da temporada que estão em rumo a San Diego, porque eles também não conseguem processar o que está acontecendo e estão procurando suas famílias. No mundo de The Walking Dead, o jeito que Robert Kirkman estabeleceu, nunca contamos a história na perspectiva dos militares ou instituições governamentais. Tivemos uma ideia do que aconteceu com o governo e como eles tentaram conter o surto na última temporada, mas vamos colocar isso de lado na segunda temporada, vamos focar mais na nossa família e em tentar sobreviver agora que todas as instituições falharam.

Daniel: Sou um grande fã dos filmes de Romero, qual seu filme favorito de tema zumbi?

Cliff: Gosto muito do filme de Danny Boyle chamado “28 days later” (Extermínio), achei que ele montou bem o cenário, e gostei bastante de como ele nos deu uma razão plausível do porque o surto começou, com um tipo de experimento médico que deu errado. Também gosto da escala, que foca só em um personagem que está correndo e morrendo de medo, que não sabe o que está acontecendo. Também lida com a questão militar no segundo filme, então esse é o meu favorito.

Morgan: Como o que vimos na websérie “Flight 462” vai se incorporar na segunda temporada de Fear the Walking Dead?

Dave: Vai se juntar a segunda temporada, mas não posso dizer quando e como, provavelmente veremos alguns personagens que conhecemos naquele avião, vão reemergir em algum ponto. Talvez isso aconteça, talvez. (risadas)

Cliff: Tem certeza que isso vai acontecer? Talvez aconteça.

Dave: É muito difícil responder a essas perguntas porque sempre perguntam sobre os pontos importantes. Mas eu gosto bastante da ideia de juntar as narrativas, especialmente hoje em dia que você pode usar múltiplas plataformas para contar uma história, como um filme, um jogo ou uma websérie. Isso é muito divertido, e estamos pensando em fazer outra websérie entre a segunda e a terceira temporada de Fear. Alguns personagens que achamos que deixamos para trás na primeira temporada que talvez tenham uma vida nova.

Cliff: Isso, Lincoln!!! (Tobias)

MEDIADORA: Vocês podiam fazer uma série “Vida após Fear the Walking Dead”.

(Risadas)

Cliff: O que mais gosto agora é que temos terra, água e ar se juntando. Acho que eles tem que ir para o espaço na próxima. (Risadas) Fiz esse filme com Danny Boyle.

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LAÍS (do Fear the Walking Dead Brasil): Quais são os maiores desafios quando se trata desse novo jeito de contar uma história, como foi no “Flight 462”?

Dave: Primeiramente, tivemos que ser contidos ao contar essa história, porque ela só tem 16 minutos no total quando juntamos todas as partes. Os maiores desafios de potencialmente juntar Flight 462 a narrativa principal nesse mundo de Fear the Walking Dead foi tentar encontrar uma maneira de juntar as duas histórias. Depois que descobrimos, tudo meio que se encaixou.

Gerard: Algum dia veremos The Walking Dead se juntando com Fear the Walking Dead?

Dave: A resposta mais curta é não. Em termos de geografia, fica bem difícil eles atravessarem o continente inteiro para chegar a Costa Leste. Também acho que por mais original que The Walking Dead seja, eles estão seguindo a narrativa dos quadrinhos. Se isso acontecesse, meio que quebraria a narrativa, o que não acho que seria algo que Robert se interessaria em fazer. E o outro desafio é que eles estão indo para sétima temporada da série, e ainda falta muito para gente alcançar eles, a linha de tempo provavelmente nunca vai se encaixar, infelizmente.

Cliff: Outra coisa é que agora que estamos indo para a segunda temporada, consigo ver nossa série como sendo uma diferente da original. Na primeira temporada ainda havia elementos da outra, mas na segunda temporada nossos personagens e as histórias foram bem desenvolvidas e temos nossa própria série agora. Acho isso ótimo, sou um pouco suspeito para falar, mas está ficando muito boa.

Gerard: Hipoteticamente falando, como vocês acham que seria esse encontro?

Cliff: Acho que Travis é um cara bem ciumento e acho que Rick Grimes ficaria muito atraído por Madison e Travis teria que matá-lo.

A segunda temporada de Fear the Walking Dead estreia no AMC Brasil no dia 10 de Abril, às 22h.

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