Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do oitavo episódio, S02E08 – “Grotesque”, da segunda temporada de Fear the Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Nick Clark está muito longe de casa.

Ao resumir sua segunda temporada, Fear the Walking Dead dobrou a dinâmica fraturada em jogo dentro da história. Ao invés de começar a juntar novamente o disperso clã Clark-Manawa, depois da dissolução do final da midseason, a história está empurrando essa família misturada para ainda mais longe – não apenas para os personagens, mas para os espectadores também.

Em “Grotesque”, o primeiro novo episódio desde a pausa de Fear the Walking Dead em Maio, o personagem cabeludo de Frank Dillane embarcou em uma viagem solo para Tijuana, finalmente encontrando alívio em um comunidade ao fim do episódio.

Mas ele esbarrou em sua justa parcela de morte ao longo do caminho, quase morto pelas mãos de errantes, mandíbulas de cachorros e armas de homens em múltiplos pontos durante a hora. Sua situação se tornou tão terrível, na verdade, que ele se hidratou com sua própria urina. Tempos desesperados e tudo mais.

O episódio também adiou a aparição do núcleo principal para concentrar-se inteiramente em Nick, com exceção de Madison, aparecendo em flashbacks do episódio – uma série de cenas que culminaram em Nick descobrindo da morte de seu pai em um acidente de carro. Espere a continuidade dessa estrutura enquanto Fear empurra através da segunda metade de sua segunda temporada; embora nem todo episódio focará inteiramente em apenas um enredo, o showrunner Dave Erickson confirma que a estrutura fragmentada da narrativa será uma parte importante da temporada.

Leia sobre as informações compartilhadas por Erickson sobre a estreia da midseason, e uma prévia do que está por vir:

Qual foi a origem da história para este episódio? Porque esse foi o jeito certo de retomar a segunda temporada?

Dave Erickson: São algumas coisas. Assumimos uma quantidade significativa de história nos primeiros sete episódios. Nós fizemos uma decisão consciente de desacelerar as coisas um pouco na segunda metade, para deixar as pessoas se acostumarem com locações específicas e não sentirem como se estivéssemos movendo de porto a porto e de santuário para santuário tão rapidamente. Parece que, especialmente depois do final da midseason, da decisão de Nick de abandonar sua família e seguir em frente, que devíamos uma história sólida centrando em Nick. Essas são as duas maiores razões. Nós também queríamos fazer algo bem limpo com uma linha específica que nos daria uma maior introspecção em Nick. Isso é algo que fizemos com outros personagens em flashbacks. Essa foi uma oportunidade de fazer isso aqui.

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O episódio se desenvolve quase como um mostruário de filme de sobrevivência para Frank Dillane. O que estava por trás dessa decisão?

Dave Erickson: Nick meio que termina a primeira temporada dizendo a sua mãe que ele é imortal. A sugestão é quando ele anda junto com os mortos, ele não pode morrer. Nós queríamos testar a ideia durante o S02E08 e ver para onde isso poderia nos levar pelo resto da temporada.

Durante o episódio, Nick se depara com algumas situações muito mortais. Um cachorro morde ele; ele quase é atingido por uma bala. Esses incidentes irão reforçar a crença de Nick em sua inabilidade de morrer, ou irão fazer com que ele volte a Terra um pouco?

Dave Erickson: No início da temporada, tendo sobrevivido daquela forma, ainda existe um elemento – e você vai ver em episódios futuros – ainda existe um certo elemento de imprudência em suas escolhas. Eu acho que ele sai desse episódio sentindo que sua crença foi reforçada de alguma maneira. É quase como se a jornada não o matou, nada pode. Mas ele vai voltar à Terra durante o resto da temporada. Ele termina em um lugar muito diferente no final.

O episódio mostra flashbacks do passado de Nick, especificamente o momento em que ele sabe da morte do seu pai. Porque mostrar esse momento agora?

Dave Erickson: Para Nick, ele é alguém que… não foi a morte do seu pai que o fez um viciado. Ele estava usando antes do seu pai morrer. Mas definitivamente o colocou em um lugar muito mais escuro. Nós falamos de um nível de desconexão entre ele e seu pai, e é algo que ele sempre procurou. Ele tem essa forte relação de codependência com sua mãe. E a realidade é que ele também tem um pouco de ressentimento para com ela. Sempre que você tem uma dinâmica familiar onde um dos pais parece mais fraco que o outro, eu acho que existe uma tendência de ficar do lado do mais fraco. Eu acho que ele ainda está confuso sobre porque seu pai se perdeu da forma que se perdeu. Ele ainda está nessa busca de alguma forma de conexão que vai substituir isso. Isso é algo que nós insinuamos parcialmente, mas não plenamente, – e talvez tenhamos a chance de fazer isso na terceira temporada – em seu relacionamento com o Strand. E então ele conhece Alejandro no fim da estreia, e existe essa possibilidade ali. Você percebe esse padrão com Nick, onde ele dança ao redor dessas fortes figuras masculinas paternais, e é nisso que estamos apoiando: um, falando sobre quando a mudança veio para ele, e quando ele realmente começou esse espiral descendente; e também falar sobre algo ausente em sua vida, e algo que ele pode ainda estar procurando.

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Você mencionou Alejandro, o líder da comunidade onde Nick chega ao final do episódio. Quem são essas pessoas, e o que você está planejando explorar tematicamente através desse grupo?

Dave Erickson: Nós exploramos isso na primeira metade da temporada através da ideia representada por Celia: “Os mortos não são monstros. Isso é uma evolução contínua. Eles não são algo a ser temido. Eles não são algo a se recear.” Eu acho que Nick começa a temporada tentando achar pessoas que pensem da mesma forma sobre isso. Também, tendo em mente que esse é um cara que uma vez viciado, sempre viciado. Só porque ele não está mais usando heroína… esse era o grande medo da Madison na última temporada. Ele está substituindo a droga por morte, essencialmente. Por mais que ele fale ao espiritual, por mais que ele pareça estar operando em algum nível superior, existe algo muito fundamental e concreto sobre sua fascinação e fixação e como isso o faz sentir, e como o pico de adrenalina que vem quando se anda com os mortos. O que nós queríamos fazer na segunda metade da temporada é se inclinar nessa ideia, e potencialmente Nick vai descobrir que suas expectativas são um pouco altas demais e nem tudo será como parece nessa comunidade.

Luciana, a nova personagem interpretada por Danay Garcia, é um dos membros chaves dessa comunidade. Agora que ela está na mistura, o que mais iremos aprender sobre essa personagem e seu papel nesse mundo?

Dave Erickson: Luciana é uma crente. Ela é alguém que adere a ideia, e ela articula de uma forma bem clara no episódio novo, que ela acredita que isso é uma forma de purgação, essencialmente. Essa é uma das coisas fundamentais em que esse grupo acredita. Eles acreditam que os mortos se levantaram. Eles não são monstros. Eles devem ser abraçados e protegidos a um certo ponto. Quando o tempo passa, aqueles que permanecem e são fiéis, serão essencialmente capazes de herdar a Terra. Se você falhar, é meio que uma mentalidade e espiritualidade de “os fracos não herdarão a Terra”. Ela é alguém devotada à Alejandro. Ela é incrivelmente devotada a essas pessoas. Existem certas coisas que aprendemos sobre Alejandro no novo episódio que vai desafiar nossas noções do apocalipse e suas regras. Ela é uma porta-voz e principal agente para Nick em termos de apresentá-lo a este mundo e fazê-lo entender o que seu povo acredita. Pode haver uma relação interessante que se desenvolve entre os dois além do espiritual e do além da morte.

Uma vez que a estreia focou quase que somente em Nick, podemos esperar que essa estrutura continue pelo restante da temporada – episódios isolados, mais fixados em personagens específicos?

Dave Erickson: Sim. Nós tivemos uma situação na primeira temporada onde nossa família toda estava junta, e às vezes parecia que certos enredos não estavam sendo abrangidos em episódios específicos. Ao separar a família e fraturando a unidade, dá uma oportunidade de passar mais tempo e fazer mais um tipo de rotação. Então, sim, esse foi um episódio muito centrado em Nick. Em episódios subsequentes, vamos nos debruçar mais fortemente em Madison e Strand, ou Travis e Chris, e por último, vamos começar a uni-los novamente pelo final da temporada – mas não veremos uma família completamente formada até algum lugar na terceira temporada. Possivelmente!

Olhando para os outros personagens, Madison está com Alicia, Strand e Ofelia agora; algo com um combo improvável. O que podemos esperar da história desse grupo nessa temporada?

Dave Erickson: Existe uma química interessante entre Madison e Strand. Nós veremos essa relação se aprofundar, e essa amizade começar a se construir. Também é uma oportunidade para Alicia. Ela sempre se sentiu como a estranha garota de fora. Ela é mistificada de uma forma, pela devoção de sua mãe pelo irmão que parte e abandona. Separando-as de Nick, nos dá uma oportunidade de se aprofundar na relação de Madison e Alicia. Vamos começar a entender melhor o relacionamento da sua mãe com seu irmão. Ela realmente vai passar por uma educação sobre ela. Ela aprende sobre sua mãe de uma forma diferente. E então, Ofelia está em um lugar estranho agora. Ela perdeu seu pai, ou assim acredita. Ela perdeu sua mãe na última temporada. Agora ela se encontra com neste grupo. Seu pai sempre dizia que família é família, mas a verdade é que, essas pessoas não são sua família. São pessoas com as quais ela foi forçada a viver. Então ela vai tomar algumas decisões sobre o que fazer com seu futuro.

Travis e Chris estão juntos agora. Chris está bem perturbado, para dizer o mínimo. Não é a viagem pai e filho que Travis talvez tivesse em mente antes do apocalipse…

Dave Erickson: Travis ainda está muito no modo consertar, e ele passou a ter consciência de que seu filho não vai se corrigir por si próprio. Ele está compreendendo que seu filho está se sentindo completamente alienado e desconectado. Ele tem o potencial de ir a lugares muito violentos e sombrios, como vimos. Travis sente que é sua responsabilidade, não apenas com Chris, mas também com Liza, falecida mãe de Chris, que ele esteja sendo cuidado. Ele está protegendo Chris de si próprio, de certa forma, e ele também sente que, ao mantê-lo separado do resto da família, esteja protegendo eles. É um tipo de viagem entre pai e filho, mas vai seguir um caminho ainda mais complexo e sombrio ao decorrer da temporada. Em alguns aspectos, para Travis, vai realmente se tornar a educação de Travis Manawa. Ele vai ter que entrar em acordo com a realidade deste novo mundo e o que o apocalipse significa realmente. Eu acho que veremos o aluno se tornar o professor durante o restante da temporada.

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Existem essas três histórias principais em foco: Nick por conta própria, Travis e Chris juntos, e Madison com Strand, Ofelia e Alicia. Qual é o fio condutor através destes diferentes segmentos? Qual é a estrela do norte temática para a segunda metade da segunda temporada?

Dave Erickson: Na segunda metade, tem muito a ver com lugar e casa. Veremos Madison tentando criar algo, não apenas para proteger Alicia, mas também a coisa sobre Nick é que ele foi embora antes. O Nick pré-apocalíptico ia embora por semanas sem fim, mas ele sempre teve um lugar para voltar para. A esse ponto na relação deles, não há. Madison vai procurar por uma casa base e algo para seu filho ter para onde retornar, o que vai ser desafiador para Alicia. Ela vai forçar Madison a confrontar essa noção de sempre estar suportando o filho que abandona, e eu não, então isso é sobre o que? Para Nick, é similar. Ele está procurando por um lugar onde ele esteja em casa, com um certo nível de conforto, e pessoas que entendam onde ele está. Isso é muito mais do que a sua relação com a colônia se estende. E a questão sobre o Chris, a coisa que ele mais teme, e parece quase insignificante em comparação com parte do que ele fez e do que esse mundo é – a coisa que ele tem mais medo é não ter uma estrutura a sua volta. Ele sempre foi alienado, e agora, de frente a uma família que pensa que ele é um assassino, o que ele é, o faz ainda mais confuso e mais aborrecido e enfurecido. Para Travis, é realmente sobre encontrar um lugar onde ele possa curar. Não é muito sobre… o lugar óbvio para ir, seria o de que eles estão todos fraturados, então agora, como vamos trazê-los juntos novamente? No final das contas, essa não é a real força impulsora. É sobre como nos acomodamos e criamos alguma arquitetura e segurança. Tematicamente, isso é o que estamos esticando para alcançar através destas três histórias.

Você provocou que não vimos, necessariamente, o último momento de Daniel Salazar, apesar de seu fim explosivo no final da midseason. Seu destino vai ser revelado na segunda metade da segunda temporada?

Dave Erickson: Eu apostaria em algum lugar na terceira temporada. O valor da morte de qualquer personagem é que causa um impacto na audiência, mas na verdade, nos personagens e membros da família e amigos no show. Para nós, Ofelia sempre foi a filha diligente. Ela desistiu de uma grande parte de sua vida para tomar conta dos pais. Ela percebeu na primeira temporada que eles são muito mais fortes e fáceis de se ajustar a diferentes circunstâncias do que ela sabia. Ela olha para trás com um certo nível de ressentimento. Agora que eles se foram, é um desafio sobre como ela vai continuar? Perto do fim da midseason, Daniel se torna o homem que ela pensou que ele era, o que significa que, ele precisa dela. Ele começou a entrar em colapso e se perder. Foi a primeira vez que ele foi alguém vulnerável e frágil. Eu acho que Ofelia encontrou um pouco de perdão perto do fim, e em seguida, ele foi levado. Então, a segunda metade é realmente sobre como isso vai impactá-la e o que ela escolhe fazer com isso. O que é importante é que ela acredita que Daniel está morto e minha esperança é que possamos explorar essa linha na terceira temporada e ver a ressurreição de Daniel.

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Fonte: Hollywood Reporter


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